Resolução da assembléia popular da praça Syntagma

Por JéromeE. Roos em 23 de outubro de 2011 / Traduzido por Mauricio Lopes Caldas

Fonte: http://roarmag.org/2011/10/resolution-by-the-popular-assembly-of-syntagma-square/

 

A partir de ontem, definitivamente e irreversivelmente, o ‘Partido Comunista Grego’ não é mais que uma barreira contra as tentativas de enterrar o defunto parlamento.

Por Occupied London e Casa Nosotros

Depois de Varkiza [1], do Polítecnico [2], da Escola de Química (1979), de dezembro de 2008 [4] e inúmeras outras ocasiões, a realidade veio mais uma vez revelar o papel do Partido, que sistematicamente trai as lutas populares. E se até este ponto eles reprimiram, com seus escritórios políticos, qualquer luta generalizada e determinada durante esses anos, se eles caluniaram todas as revoltas as chamando de ‘provocações’, a partir de agora a história mostra que não foram ‘meros erros políticos’, mas uma postura coordenada e consciente de defender a ditadura parlamentar, o capitalismo financeiro e as relações sociais. Isto foi o que fizeram ontem (20/10), mais uma vez, ainda que até aquele momento tivessem chamado as pessoas à participarem das manifestações para derrubar o governo. Eles esconderam a operação sorrateira do Parlamento e ao invés de cercá-lo, eles agiram de maneira ainda mais bárbara que a polícia, rachando crânios e entregando manifestantes para as forças de repressão. O pior de tudo do que fizeram foi legitimar o Estado, que matou um de seus camaradas, culpando uma violência para-estatal pelo assassinato .

A partir de ontem em diante, definitivamente e irreversivelmente, o ‘Partido Comunista Grego’ não é mais que uma barreira contra as tentativas de enterrar o defunto parlamento. Qualquer ser humano livre lutando por sua dignidade nesses dias cruciais deve tê-los como alvo político em retorno. Esta proposta não deve ser lida como um racha no movimento. Nós podemos ter problemas e objetivos comuns com os eleitores do “Partido Communista”, mas a política e a prática de liderança às quais eles estão submetidos segue palavra por palavra às ordens do governo e dos enviados do FMI, da EU e do BCE (Banco da Comunidade Européia). Nós nunca marchamos lado à lado com eles, eles nunca estarão conosco. Todos nós temos que lembrar que o “Partido Comunista” agirá como uma quinta coluna do regime ditatorial, na esperança de mais uma vez recolher migalhas da mesa do parlamento, como fez em 1990 [5].

A postura de todas agrupações políticas, parlamentares ou não, que apoiaram os atos do “Partido Comunista”, indiretamente pelo seu silêncio ou diretamente com suas afirmações, é igualmente condenável. Enquanto esses partidos estiverem em um parlamento composto de cumpridores de ordens da TROIKA (FMI, EU e BCE) e continuarem a receber seus salários gordos, serão inteiramente co-responsáveis pelo o que aconteceu até agora e pelo o que está por vir. Seus votos negativos aos memorandos e às leis combinadas revelam precisamente o papel deles na ditadura: eles fornecem o álibi da polifonia e da democracia, neste totalmente armado parlamento de representantes, para que as pessoas empobrecidas continuem contando votos em cada votação de leis fixa e predeterminada que abolem o seu futuro – enquanto alimentam a ilusão de que alguém responde por eles e pelos seus interesses. Assim, eles deixam a oposição para os profissionais da política, e não sentem a necessidade de reagir imediatamente e pessoalmente. Qualquer voto, mesmo para partidos extra-parlamentares da “extrema esquerda”, nas eleições locais e nacionais, não é nada mais que óleo nas engrenagens da máquina e a legitimação da “correção” da atual ditadura parlamentar.

Desde 25 de maio, quando nos reunimos na praça pela primeira vez, nós descubrimos a democracia direta como a capacidade de cada um de nós de participar, de consultar um ao outro, de modelar nossas idéias juntos e autonomamente, longe de rótulos ideológicos e parlamentares. Nós devemos permanecer aqui, contra a quebra do parlamentarismo e da burocracia deles.

NÓS ESTAMOS TOMANDO OS RUMOS DE NOSSAS VIDAS EM NOSSAS MÃOS

DEMOCRACIA DIRETA JÁ

Assembléia popular da praça Syntagma, 21/10/2011

1. Referência ao Tratado de Varkiza de 1945, em que o Partido Comunista traiu a luta armada e milhares de guerreiros da Guerra Civil em troca de sua legalidade no novo regime

2.Referência à postura original do Partido Comunista contra o Levante Politécnico de 1973, ao chamar os manifestantes de “provocadores de polícia”

3. Referência aos incidents de 1979 na Escola de Química de Atenas, em que membros do Partido Comunista desmontaram a ocupação da escola, cooperando diretamente com a polícia.

4. Uma referência, obviamente, à mais recente condenação da revolta de Dezembro de 2008

5. Referência a divisão de poder pelo Partido Comunista com os dois principais partidos parlamentares, ND e PASOK, em 1990


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