Chamada de Solidariedade com o Egito: Defenda a Revolução Uma carta de Cairo para os movimentos de Ocupação/Descolonização e outros movimentos solidários

Após três décadas vivendo sob ditadura, os egípcios iniciaram uma revolução exigindo pão, liberdade e justiça social. Depois de uma ocupação quase utópica da praça Tahir, que durou 18 dias, nos libertamos de Mubarak e começamos a segunda e mais difícil tarefa: acabar com o seu aparato de poder. Mubarak se foi, mas o regime militar ainda persiste. Por isso, a revolução continua – pressionando, ocupando as ruas e clamando pelo direito de controlar nossas próprias vidas e modos de viver contra a repressão que abusou do povo egípcio por anos. Mas agora, pouco tempo depois de ter começado, a revolução está sendo atacada. Nós escrevemos esta carta para contar a vocês sobre o que estamos vendo, como vamos enfrentar essa ofensiva e também para pedir a sua solidariedade.
25 e 28 de janeiro, 11 de fevereiro: você viu esses dias, viveu esses dias conosco, através da televisão. Mas nossa luta continuou nos dias 25 de fevereiro, 9 de março, 9 de abril, 15 de maio, 28 de junho, 23 de julho, 1º de agosto, 9 de setembro, 9 de outubro. Em vários episódios o exército e a polícia nos atacam, agridem, prendem e nos matam. E nós resistimos, nós continuamos; em alguns desses dias nós perdemos, em outros, ganhamos, mas nunca sem ter algum custo. Mais de mil pessoas deram a sua vida para derrubar Mubarak. Muitos outros se juntaram a eles, na morte, desde então. Nós continuamos a luta para que as mortes deles não tenham sido em vão. Nomes como Ali Maher (um manifestante de 15 anos, assassinado pelo exército, na praça Tahir, em 9 de abril), Atef Yehia (atingido por um tiro na cabeça por forças de segurança durante um protesto em solidariedade à Palestina, em 15 de maio), Mina Danial (assassinada pelo exército durante um protesto em frente à Masepro, em 9 de outubro). Mina Daniel, mesmo depois de morto, sofre com a perversa humilhação de estar na lista de acusados pelo episódio de 9 de outubro, elaborada pela procuradoria militar.

Alem disso, desde que a junta militar tomou o poder, pelo menos 12.000 de nós estão sendo julgados por tribunais militares, impedidos de convocar testemunhas de defesa e com acesso limitado a advogados. Menores estão detidos em prisões para adultos, sentenças de morte estão sendo distribuídas e a tortura está sendo praticada por todos os lados. Mulheres que participaram das manifestações foram vítimas de abuso sexual por parte do Exército, em forma de “prova de virgindade”.

Em 9 de outubro, o exército massacrou 28 manifestantes em Maspero; eles passaram por cima de nós com tanques e abriram fogo contra nós enquanto manipulavam a mídia estatal na tentativa de incitar a violência sectária. A história foi censurada. Os militares estão se auto-investigando sobre o caso. Eles estão mirando sistematicamente aqueles de nós que se expõem, que falam. Neste domingo, nosso camarada e blogueiro Alaa Abd El Fattah foi preso sob acusações falsas. Hoje ele passará mais uma noite numa cela sem iluminação.
Todos esses acontecimentos vêm do exército que supostamente está garantindo a transição para a democracia, que afirmou defender a revolução, e que parece estar convencendo tanto os egípcios como a comunidade internacional de que está cumprindo com tal arranjo. O discurso oficial tem sido o de assegurar a “estabilidade”, com nenhuma afirmação de que o exército está somente preparando o terreno para as futuras eleições. Mas mesmo com a eleição de um novo parlamento, nós ainda teremos de viver sob o governo de uma junta que tem autoridade sobre os poderes legislativo, executivo e judiciário, sem nenhuma garantia de que esse controle irá terminar algum dia. Todos aqueles que desafiaram esse esquema foram seqüestrados, presos e torturados; julgamentos militares para civis é a primeira estratégia dessa repressão. As prisões estão cheias de vítimas dessa “transição”.
Agora nós nos recusamos a cooperar com tais julgamentos e acusações vindas do Exército. Nós não vamos nos render e nos recusamos a responder interrogatórios. Se eles nos querem, que venham nos tirar dos nossos lares e locais de trabalho.
Nove meses depois desta nova repressão militar, ainda lutamos por nossa revolução. Nós estamos marchando, ocupando, lutando e fechando tudo. E você, também, está marchando, ocupando, lutando e fechando tudo. Nós sabemos de todo o apoio que recebemos em janeiro, que o mundo acompanhou nossa revolução de perto e que até se inspirou nela. Nós nos sentimos, mais do que nunca, próximos a você. Nós estamos acompanhando as suas lutas, os seus movimentos e agora é a sua vez de nos inspirar. Nós marchamos até a Embaixada dos EUA, no Cairo, para protestar contra a violenta expulsão durante a ocupação da Oscar Grand Plaza, em Oakland. Nossa força está na nossa luta em comum. Se eles sufocarem nossa resistência, o 1% vai vencer em Cairo, Nova Iorque, Londres, Roma, em todo lugar. Mas enquanto a revolução vive, nossa imaginação não conhece limites. Nós ainda podemos criar um mundo onde valha a pena viver.
Você pode nos ajudar a defender nossa revolução.

O G8, FMI e os países do Golfo estão prometendo um empréstimo de US$ 35 bilhões ao regime. Os EUA cedem ao Exército egípcio uma ajuda anual de US$ 1.3 bilhões. Governos ao redor do mundo continuam apoiando e fazendo alianças com os governantes militares do Egito. As balas com as quais eles nos matam são fabricadas nos EUA. O gás lacrimogênio que arde de Oakland à Palestina é fabricado no Wyoming. A primeira visita do primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao Egito pós-revolução foi para assinar um acordo armamentício. Esses são só alguns exemplos. A vida, a liberdade e o futuro das pessoas devem parar de ser traficados em detrimento de objetivos estratégicos. Nós devemos nos unir contra governos que não compartilham com os interesses de seu povo.

Nós estamos chamando você para empreender ações de solidariedade que nos ajudem na oposição à repressão.

Nós estamos sugerindo um dia internacional para defender a revolução egípcia no dia 12 de novembro, com o slogan “Defenda a Revolução Egípcia – Pelo Fim dos Julgamentos Militares Contra Civis”.

Os eventos podem incluir:

- ações dirigidas a Embaixadas e Consulados Egípcios, exigindo a soltura dos civis sentenciados em tribunais militares. Se Alaa foi solto, devemos pedir também a liberação de milhares de outros

- ações direcionadas para que o seu governo coloque fim ao apoio à junta militar egípcia

- projetar vídeos sobre a repressão que sofremos (julgamentos militares, o massacre em Maspero) e nossa resistência contínua. Envie-nos um email para obter os links.

- realizar videoconferências com ativistas no Egito

- qualquer forma criativa de mostrar o seu apoio e mostrar que o povo egípcio tem aliados mundo afora.

Se você está organizando ou deseja organizar algum evento, envie um email para defendetherevolution@gmail.com . Nós também adoraríamos ver fotos e vídeos de qualquer evento que você esteja organizando.

Campanha pelo fim Pelo Fim dos Julgamentos Militares Contra Civis

Campanha pela Libertação de Alaa

Mosireen

Camaradas do Cairo

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3 respostas para Chamada de Solidariedade com o Egito: Defenda a Revolução Uma carta de Cairo para os movimentos de Ocupação/Descolonização e outros movimentos solidários

  1. Mihr disse:

    Q ALAA ESTEJA NO MEIO D NÓS !!

  2. Pingback: Chamada de Solidariedade com o Egito: Defenda a Revolução Uma carta de Cairo para os movimentos de Ocupação/Descolonização e outros movimentos solidários |

  3. CMI disse:

    Comunicado do CMI-Brasil em apoio às Ocupações Mundiais no Brasil
    http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/11/500060.shtml

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